CIRCULO VICIOSO DA VIOLÊNCIA.

CIRCULO VICIOSO DA VIOLÊNCIA.

 

Hoje tivemos mais duas mortes em confrontos entre forças policiais e o crime organizado no complexo da Maré no Rio de Janeiro. Tem causas e efeitos as graves falhas no sistema de segurança do Rio e em outros estados do Brasil, que levou o ministro da defesa Raul Jungmann a declarar que “o sistema de segurança do país está falido“!

Não sou eu que estou dizendo que o sistema está falido, mas o próprio ministro, um dos principais assessores do presidente Temer em assuntos de defesa e segurança.O envolvimento das forças armadas com as ações de segurança pública é um indicador de que os estados, que constitucionalmente deveriam garantir a segurança da sociedade, já não tem as condições necessárias para tal, por várias razões.

Essas duas mortes recorrentes e tristemente lamentáveis, sempre de jovens, negros e favelados são resultantes da falta de coordenação e comando nas políticas de segurança no Rio de Janeiro. O atual governador tem assumido posições erráticas e até mesmo contraditórias – a única política consistente que vem sendo aplicada com insistência insana é o conflito armado com o crime organizado.

Operações diárias são montadas com a infiltração de policiais militares e forças especiais nas favelas dominadas pelo tráfico de drogas, o que quase que inevitavelmente resultam em confronto armado. Ou seja, a exposição de agentes de segurança no interior das favelas propicia e instiga o confronto pelo confronto, cria o cenário para que policiais sejam atingidos por projéteis e também a morte de bandidos, e o pior, a morte de inocentes.

Quando um policial é morto ou ferido as forças policiais passam a agir por vingança como no caso recente de um delegado morto na zona norte do Rio e invadem a comunidade com extrema violência na busca dos autores dos crimes e retroalimentam de novo o ciclo de violência, que se torna sem fim.

Não há nenhuma dúvida que o principal motivo desta opção permanente e descontrolada pela violência é a falta de autoridade e comando – o governador não tem nenhum controle sobre as decisões operacionais que levam a este ciclo vicioso. Ele mal leu o tal novo plano de segurança dando desculpas inaceitáveis. Ele sabe que não tem comando e quando foi sugerido a ele que um general do exército assumisse o comando da segurança pública no estado, ele recusou. Certamente há muito a ser explicado sobre essa recusa!

O secretário de segurança, em decorrência dos recentes eventos na Maré voltou a dizer que há planejamento, fator essencial para uma política de segurança de sucesso, mas demonstrou que esse planejamento é na verdade um improviso ao afirmar também, de foram contraditória, que em resposta a ações emergenciais, operações de reação são montadas, de certa forma confirmando a “politica do confronto pelo confronto“, que tem sido a maior causa de vítimas nas fileiras policias, muitas vezes expostos a situações críticas sem necessidade e sem as condições pessoais e profissionais adequadas.

O fato é que as cobranças da sociedade e da mídia por resultados e em face da carência de um plano competente e efetivo, associado ao quadro atual de falta total de comando pressionam as forças policiais a praticar “mais do mesmo“, ou seja intensificam os confrontos inefetivos e violentos, aumentando vergonhosamente as estatísticas de mortos e feridos, numa guerra insana, sem fim e sem resultados para a sociedade.

Eng. Everton Carvalho

Presidente da ABIDES

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