CHAPADA DOS GUIMARÃES – SUSTENTABILIDADE AMEAÇADA?

CHAPADA DOS GUIMARÃES – SUSTENTABILIDADE AMEAÇADA?

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Na visita que fizemos neste final de semana (28/02/2015) a Chapada dos Guimarães constatamos que muito há por se fazer em termos da promoção do Desenvolvimento Sustentável naquela região, que abriga ícones do patrimônio natural de Mato Grosso e do Brasil,  abrigando 59 nascentes hídricas, 487 cachoeiras e 38 espécies vegetais endêmicas. Entre estes ícones se destacam a Cachoeira Véu da Noiva, a Lagoa Azul e seu conjunto de cavernas e a exuberante mata, basicamente do bioma Cerrado, mas também mesclada com espécies sub-amazônicas.

O avanço da agricultura intensiva e o aumento do turismos se traduziram em significativos impactos sobre as riquezas naturais de Chapada dos Guimarães, que ainda resiste a estas pressões, mas não sem registrar preocupações com estes fatores que influenciam significativamente o desenvolvimento socioambiental local.

Atualmente há restrições de acesso aos pontos mais atrativos, como a Cachoeira de Salgadeira, tradicional ponto de lazer dos cuiabanos e turistas, hoje fechada ao publico pelo aumento da pressão turística, carências na gestão e falta de uma política de educação ambiental. A cerca de uma década aquele extraordinário ambiente natural se encontra abandonado, a Cachoeira da Salgadeira encontra-se hoje jogada ao léu, cercada com folha de zinco, mais parecendo uma favela no meio do paraíso. É triste passar ali e ver os grosseiros tapumes metálicos isolando a área e escondendo a beleza constituída por aquele patrimônio.

Outro aspecto preocupante é a ameaça ao imenso potencial hídrico de Chapada, que com a expansão urbana desordenada e as pressões da agricultura intensiva, entre outras, vê seus mananciais minguando. Constatamos “in loco” o lançamento de águas fluviais em áreas de nascente e o desmatamento de áreas de mata próximas a estas nascentes dentro do perímetro urbano, sem nenhum controle – demonstração de total falta de atuação dos poderes públicos responsáveis.

Porém, nem tudo está perdido, pois mantivemos contato com pessoas conscientes destes problemas e que não só resistem, mas tomam inciativas positivas para promover, manter e valorizar as riquezas naturais de Chapada. Este são os casos do artista plástico Vitor Javier, o Sr. Odenir e Dona Genoveva, proprietários da Pousada Cambará. Esta pousada, localizada na periferia de Chapada em uma área de muito verde, mata nativa e abrigo de muitos pássaros e animais silvestres, é um ponto de referência para aqueles que buscam o contato com a natureza, pois podem aproveitar no local o canto dos pássaros, as caminhadas ecológicas e o café da manhã regional preparado por Dona Genoveva com produtos da terra.

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Vitor Javier, cidadão argentino radicado a mais de 20 anos em Chapada, desenvolve um trabalho único de produção de papel natural e os utiliza em produtos oferecidos na sua loja no centro de chapada (Centro de Confluência – NAFLORESTA) e em ações de educação ambiental para alunos do primeiro e segundo grau nas escolas do município. O Papel Natural, produzido nos moldes semelhantes ao Papel Botânico Artesanal de Maurício Rosa de Visconde de Mauá/Maringá no Estado do Rio de Janeiro, representa um compromisso com o desenvolvimento sustentável, conforme registrado em nosso documentário: ABIDES – Documentário sobre Produção de Papel Natural em Chapada dos Guimarães.

Vale a pena visitar o atelier de Vitor e constatar que nem tudo está perdido em Chapada dos Guimarães.

Alertamos porém que é necessário que se realize um profundo diagnóstico sobre a situação atual das nascentes e demais mananciais hídricos da Região de Chapada dos Guimarães, para que Mato Grosso não venha a lamentar uma crise hídrica, que hoje se abate sobre São Paulo e outras capitais do País, que antes também se achavam imunes.

Eng. Everton Carvalho

Presidente da ABIDES

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