Cartilha busca resgatar e valorizar a cultura Tupi Guarani

Os mais velhos explicam aos estudantes em expedição fotográfica realizada pela Comissão Pró-Índio. Foto Carlos Penteado

Os mais velhos explicam aos estudantes em expedição fotográfica realizada pela Comissão Pró-Índio. Foto Carlos Penteado

 

A Comissão Pró-Índio de São Paulo e os professores da Aldeia Indígena de Piaçaguera lançam, no próximo dia 11 de junho, a cartilha Ywyrá Rogwé/ Ywyrá Rapó – Djaroypy Djiwy Nhanémoã Nhanderekó Tupi Guarani – “Plantas e Raízes: Resgatando a medicina tradicional Tupi-Guarani”.

 

O lançamento será a partir das 10h na Escola da Aldeia Piaçaguera, em Peruíbe, litoral de São Paulo.

 

A cartilha Ywyrá Rogwé/ Ywyrá Rapó visa resgatar e valorizar o conhecimento tradicional sobre o uso de plantas e raízes medicinalmente, instigando os mais jovens a procurar os txeramoi e as txedjaryi – mais velhos e mais velhas, para conhecer mais sobre a cultura dos seus antepassados. Além de fazer parte da busca por viver da forma que consideram ideal mesmo estando em um ambiente sujeito a muitas pressões e ameaças.

 

A publicação atende a um anseio colocado à Comissão Pró-Índio de São Paulo pelos professores indígenas da aldeia Ywy Pyaú (Piaçaguera), Luan Elísio Apyká e Dhevan Pacheco: a produção de um material com o resultado do trabalho que realizaram por mais de dois anos com seus alunos, apoiados pelos txeramoi e das txedjaryi.

 

“Na nossa aldeia há uma “farmácia natural”, não há motivos para dependermos somente dos remédios dos brancos e sempre correr atrás da SESAI. Começamos, então, um projeto na escola durante as aulas de Tupi para que esse conhecimento fosse “resgatado”. Fizemos um convite para os mais velhos, cada semana vir um mostrar aquilo que sabia aos alunos da escola, que não conheciam nada das plantas, e mesmo aos seus pais estavam esquecendo.

 

E ao invés de levarmos as plantas para a sala de aulas, organizamos para as crianças acompanharem os mais velhos até elas, assim elas saberiam onde estão essas plantas. É o primeiro material produzido por nós a ser publicado dessa forma”, contam os professores. A intenção é de que, com a publicação, esse trabalho se fortaleça e se expanda.

 

A cartilha fala da “medicina do mato”, aquela que os Tupi-Guarani aprenderam com a natureza e Nhanderú e que vem sendo transmitida de geração em geração. Mas que nos últimos tempos anda meio esquecida especialmente pela geração mais jovem.

 

“Tem muita importância ensinar novamente porque estão esquecendo muitas coisas. Eu aprendi com meus avós, com meus tios, que era grande rezador, conhecedor da natureza, então eu cheguei a conhecer muitas coisas com eles, tanto na parte espiritual como também na parte material, a medicina do mato, né. Estamos fazendo isso para deixar alguma coisa, porque não vou viver muito tempo mais. Então antes que meu corpo vá embora quero deixar alguma coisa para eles ainda”, pajé Gwaíra.

 

O conteúdo da cartilha é produto de um trabalho coletivo de professores, alunos, pessoas mais velhas da aldeia Piaçaguera e da equipe da Comissão Pró-Índio de São Paulo, cujo papel foi o de auxiliar na edição do material, promover o registro fotográfico das plantas e viabilizar o projeto gráfico construído pela equipe de designer juntamente com os índios. As atividades foram realizadas com o apoio financeiro de Christian Aid, DKA Áustria e Size of Wales.

 

Sobre a Terra Indígena Piaçaguera

 

A Terra Indígena Piaçaguera, no litoral sul de São Paulo, é morada de cerca de 250 índios Tupi-Guarani. Distribuídos em cinco aldeias eles ocupam uma área de 2.790 hectares no município de Peruíbe.

 

Piaçaguera foi declarada como terra indígena pela Funai em 2011, porém, até maio de 2014, o processo de demarcação ainda não havia sido concluído sendo necessária ainda a retirada dos ocupantes não indígenas pela Funai.

 

A demora na conclusão da demarcação é apenas um dos muitos problemas enfrentados pelos Tupi-Guarani em Piaçaguera. A terra é um território extremamente vulnerável pela proximidade da área urbana, pela existência de uma estrada de uso intenso, pelo fluxo de turistas e pelos impactos causados por mais de 50 anos de atividade minerária no interior de suas terras.

 

Programação

 

10h – Apresentação cultural

11h – Mesa de Lançamento da Cartilha

12h – Almoço tradicional

 

O quê: lançamento da cartilha Ywyrá Rogwé/ Ywyrá Rapó – “Resgatando a medicina tradicional Tupi-Guarani elaborada pelos professores indígenas Luan Elísio Apyká e Dhevan Pacheco.

 

Quando: 11 de junho de 2014

Onde: Aldeia Piaçaguera, Peruíbe, São Paulo.

Edição e publicação: Comissão Pró-Índio de São Paulo

Apoio: DKa-Áustria, Christian Aid e Size of Wales

 

Colaboração de Bianca Pyl, da Comissão Pró-Índio de São Paulo,

 

Para EcoDebate, 09/06/2014

 

 

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