Carta de Itacuruba – Proposta de Emenda Constitucional Antinuclear

CARTA DE ITACURUBA

Nós, cidadãos, cidadãs e entidades promotoras e participantes da Caravana Antinuclear que percorreu, entre os dias 28 e 31 de outubro de 2011, as cidades de Belém do São Francisco, Floresta, Itacuruba e Jatobá, em Pernambuco, ameaçadas pela possível instalação de uma usina nuclear, ao concluir a Caravana, dirigimo-nos às autoridades e a toda sociedade da região, do Nordeste e do Brasil.

Através desta carta compartilhamos o resultado destes dias intensos de intercâmbio, aprendizagem e compromisso.

Música, poesia, teatro, feira de ciências, fotos, cartazes, oficinas de desenho com crianças, palestras e debates foram oportunidades de informação farta e segura, que o povo da região soube aproveitar, já que não obtém das autoridades.

Uma conclusão cristalina fica da Caravana: O POVO NÃO QUER USINA NUCLEAR!

Suas razões, se já eram suficientes após os desmantelos vividos com a megaobra da Barragem de Itaparica, ficaram ainda mais claras com as informações disponibilizadas pela Caravana.

Não precisamos da energia termonuclear, porque ela é suja, perigosa e cara. Sob qualquer ponto de vista – social, ambiental, político, econômico e cultural – ela é insustentável e indefensável.

Por que retomá-la neste momento, após o acidente de Fukushima, quando a maioria dos países dela desiste?

O Programa Nuclear Brasileiro, até hoje desconhecido da sociedade, tem que ser imediatamente suspenso. Neste sentido, apoiamos a recém lançada Proposta de Emenda Constitucional Antinuclear de Iniciativa Popular.

Temos, como nenhum outro país, muitas e diversificadas fontes de energia: biomassa, solar, eólica, das marés – a serem desenvolvidas com respeito às pessoas e ao meio ambiente.

Suspeita-se que a motivação da construção das usinas nucleares no Brasil é a produção bélica, nos levando a repudiá-las ainda mais.

O que a nossa região precisa não é de mais uma megaobra problemática, reavaliada e rejeitada pelas grandes potências mundiais, as mesmas que financiam o programa nuclear no Brasil.

Carecemos de investimentos públicos como: educação, saúde, segurança, soberania alimentar e hídrica, economia popular e solidária, convivência com o semiárido, agilidade no processo de identificação e demarcação das terras tradicionais, revitalização do São Francisco, dentre outros. Para isso, contem com nosso apoio e participação.

USINA NUCLEAR NÃO!

A hora grave vivida pela humanidade e pelo planeta exige de nós, mesmo ao revés de interesses econômicos, posturas éticas, de responsabilidade mútua pelo Bem-Comum das atuais e futuras gerações.

A presença ainda numerosa de povos originários nesta região nos possibilita o resgate de suas tradições culturais, junto com a demarcação de seus territórios, para um diálogo intercultural e afirmação de utopias de “um outro mundo possível”, sem a ameaça nuclear.

Itacuruba, 30 de outubro de 2011.

Aldeia da Paz Rio+20/PE – Articulação Antinuclear Brasileira – Articulação Popular São Francisco Vivo (SFVivo) – Articulação e Organização dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME) – Associação Ambientalista da Cidade de Camaragibe/PE – Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia Florestal (ABEEF) – Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto (ABREA) – Associação Cultural Arte Ecologia (ASCAE) /BA – Associação de Estudos Costeiros e Marinhos (ECOMAR) – Associação dos Beneficiários do Projeto Miguel Arraes de Alencar/Petrolândia/PE – Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) – Associação Movimento Paulo Jackson – Ética, Justiça, Cidadania/BA – Caritas NE2 – Centro das Mulheres do Cabo/PE – Centro Cultural Comunitário Direito de Ser/Itacuruba/PE – Coalização Brasileira Contra as Usinas Nucleares – Comissão Pastoral da Terra (CPT) – Comissão Paroquial de Meio Ambiente de Caetité/BA – Comitê Pernambucano para a Rio+20 – Comunidades e Povos Indígenas dos Pankará, Pankararu, Tuxá, Pankararé, Atikum, Neopankararé – Comunidades Quilombolas Negros de Gilú, Poço dos Cavalos e Ingazeira/Itacuruba – Comunidade Quilombola Conceição das Crioulas/Salgueiro/PE – Confraria do Rosário (Remanescentes de Quilombo)/Floresta/PE – Confraria dos Romeiros de Floresta/PE – Conselho Indigenista Missionário (CIMI) – Conselho Municipal de Meio Ambiente/Jatobá/PE – Diocese de Floresta – Eco Vida/Cabo/PE – Ecocentro Bicho do Mato/PE – Executiva Nacional dos Estudantes de Veterinária (ENEV) – Executiva Nacional dos Estudantes de Serviço Social (ENESSO) – Federação Nacional dos Estudantes de Direito (FENED), Federação de Órgãos para a Assistência Social de Educação (FASE) – Fórum de Reforma Urbana de Recife/PE (FERU) – Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (FEAB) – Fundação Heinrich Böell – Greenpeace – Grêmio Estudantil Ação Jovem/Belém do São Francisco/PE – Grupo de Defesa e Promoção Socioambiental (GERMEN)/BA – Igrejas Evangélicas de Jatobá/PE – Instituto Bioeste/BA – Instituto Búzios/BA – Instituto Quilombista/BA – Grupo Ambientalista da Bahia (Gambá) – Instituto da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA)/Juazeiro/BA – Movimento Ecossocialista de Pernambuco (MESPE) – Movimento Iniciativa Popular Contra Usinas Nucleares – Ong Ideação – Paróquias de Belém de São Francisco, Floresta, Itacuruba e Jatobá/PE – Prefeitura de Jatobá/PE – Projeto para o Semiárido Tacaratu (PROSA)/PE – Rede Ciranda Solidária/PE – Projeto de Educação para uma Cultura de Paz – Rede Brasileira de Justiça Ambiental/Grupo de Trabalho Combate ao Racismo Ambiental – Rede Virtual Cidadã pelo Banimento do Amianto para a América Latina – Secretaria de Educação de Jatobá/PE – Secretaria de Cultura de Itacuruba/PE – Secretaria de Educação de Floresta/PE – Serviço Pastoral dos Migrantes no Nordeste (SPM_NE) – Sindicato dos Professores de Floresta/PE – Sindicato dos Químicos de São Paulo/SP – Cooperativa Agropecuária Familiar do Assentamento Angico II (COOPAFITA) / Itacuruba/PE

EcoDebate, 04/11/2011

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