BRUMADINHO: UM CASO EMBLEMÁTICO DE NEGLIGÊNCIA

BRUMADINHO: UM CASO EMBLEMÁTICO DE NEGLIGÊNCIA

Em face do grave acidente de Brumadinho, que envolveu a ruptura de uma barragem de rejeitos da Vale do Rio Doce que hoje contabiliza 60 vítimas fatais e centenas de desaparecidos e um prejuízo material ainda a ser calculado, a ABIDES resolveu divulgar resultados de estudo sobre o acidente de Mariana, ocorrido 5 de novembro de 2015. Somente no dia de hoje, 28/01/2019, as ações da Vale caíram 24% na Bolsa de Valores equivalente a perto de R$ 60 bilhões.

Já havíamos realizado estudo abrangente sobre o acidente de Mariana utilizando a metodologia DOES (Decisões Operacionais Efetivas e Seguras) e comparamos os resultados com estudo equivalente sobre o acidente da BP no golfo do México. Reproduzimos abaixo esta comparação :

Podemos observar que no caso da BP a área de maior concentração de causas se localiza na não observância das conseqüências potenciais dos desafios operacionais são claramente definidas e soluções alternativas rigorosamente avaliadas (Principio 3) e em uma escala bem menor na não observância das condições que potencialmente ameaçam a operação segura e confiável são reconhecidas e prontamente comunicadas para a obtenção de soluções (Princípio 1).

Esta comparação demonstra que a indústria do petróleo tem uma percepção maior do potencial de reconhecer fatores que possam colocar em risco as operações, até mesmo pela tradição da industria do petróleo em lidar com operações de risco, fato este que se reflete nas normas de segurança e nos procedimentos de licenciamento.

Já no caso da Samarco, notamos que o Princípio 1 foi violado com uma frequência muito maior, refletindo  lacunas e omissões nos bases de projeto do ponto de vista da segurança das barragens, o que justifica medidas para rever as normas de segurança deste segmento em profundidade (inclusive a legislação que regula o processo e licenciamento e fiscalização), ação esta prioritária em termos de prevenção de novos desastres.

No que se refere à percepção de risco, em ambos os casos este fator se equipara, demonstrando que as empresas continuam a negligenciar os riscos de suas operações para as populações e para o meio ambiente – isto indica que as multas e demais penalidades previstas na legislação devem ser significadamente aumentadas e/ ou expandidas, pois, infelizmente, somente a ameaça de perdas financeiras será capaz de promover uma mudança de cultura de segurança destes grupos.

É necessário que as empresas se conscientizem de que investimentos em medidas de reforço da segurança e principalmente em medidas preventivas, particularmente na implantação de uma “verdadeira cultura de segurança” em suas unidades que operam com potencial de risco de acidentes, são prioritários em termos relativos aos retornos operacionais esperados.

Em suma, não compensa investir pouco em segurança e sofrer grandes prejuízos com as consequências de acidentes graves, como os casos acima apontados da Samarco e da BP.

O acima exporto demonstra que as lições do acidente de Mariana não foram aprendidas e muito menos aplicadas pelos agentes do Estado e pela iniciativa privada que fiscalizam e operam barragens no Brasil. No momento em que as notícias saem da mídia as medidas que deveriam ser tomadas são esquecidas até que nova catástrofe, fruto dessa negligência volte a ocorrer.

Fica registrado nosso alerta e nosso protesto veemente!

Eng. Nuclear Everton Carvalho

Presidente da ABIDES

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