Brasil-Venezuela: Relações fortalecidas

Brasil-Venezuela: Relações fortalecidas

Câmara de Comércio e Indústria
Brasil-Venezuela

É lugar comum dizer que historicamente o Brasil viveu de costas para seus vizinhos e que isso começou a mudar nos últimos anos. Provavelmente não há caso que essa afirmação seja mais verdadeira do que em relação à Venezuela. Seja pela baixa intensidade no passado ou pela grande aproximação no presente.

O primeiro encontro entre chefes de Estado dos dois países ocorreu em 1859, quando foram tratadas as questões da grande fronteira, de aproximadamente 1.500 Km, e da navegabilidade entre os rios Orinoco e Negro e Amazonas, por meio do Canal Cassiquiare. Trata-se de uma situação geográfica única que une naturalmente duas das maiores bacias hidrográficas das Américas e os dois maiores rios da América do Sul. D. Pedro II viu nessa interconexão uma grande possibilidade de comércio e de integração, assim como haviam visto Francisco de Orellana e Alexander von Humboldt que fizeram todo o trajeto de barco, respectivamente em 1535 e 1800. Hoje esse potencial passa despercebido.

Após a primeira aproximação, decorreu-se mais de um século até que em 1973, às vésperas do primeiro choque do petróleo, os presidentes Médici e Rafael Caldeira se reunissem na fronteiriça Santa Elena de Uairén. Os temas centrais do encontro foram os problemas relativos ao garimpo ilegal e às oportunidades de venda de petróleo venezuelano para o Brasil.

Formalmente, a inflexão na relação binacional se deu com a assinatura do Protocolo de Guzmania, em 1994, durante os governos de Itamar Franco e Caldeira (2º mandato), quando foram vislumbrados os dois principais projetos de infraestrutura de integração entre os estados de Bolívar e Roraima, a interconexão elétrica entre Guri e Boa Vista e a pavimentação da BR-174 até a fronteira com a Venezuela e a ligação com a Troncal 10. Ambos se concretizaram no período seguinte.
Em 2005, foi estabelecida pelos presidentes Lula da Silva e Hugo Chávez a Aliança Estratégica entre os dois países e encontros presidenciais periódicos.

Foram 28 desde então. Nesse período a corrente de comércio se multiplicou, a presença brasileira (construção civil, alimentos) cresceu muito, assim como a cooperação para o desenvolvimento, com a instalação de representações de diferentes agências públicas brasileiras na Venezuela (Embrapa, Caixa, ABDI e Ipea).

A intensificação das relações bilaterais, porém, não se converteu em integração produtiva, condição sine qua non para associar o processo de desenvolvimento dos dois países. O caminho decisivo é a integração das atividades econômicas do Polo Industrial de Manaus e da Região Guayana, passando pela expansão agrícola em Roraima e Bolívar,
vinculando as maiores reservas de biodiversidade (Amazônia) e de hidrocarbonetos (Faixa do Orinoco) do mundo. Em 2011, os presidentes Rousseff e Chávez deram um grande passo ao manifestarem conjuntamente a intensão de elaborar um Plano de Desenvolvimento Integrado para
as duas regiões.

Pedro Silva Barros ,
Titular da Missão do Ipea na Venezuela

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