BOM PARA QUEM CARA PÁLIDA?

BOM PARA QUEM CARA PÁLIDA?

desigualdade

Surge no cenário o ranking dos “países bons”, aqueles que contribuem para o bem da humanidade, de acordo com conceitos e metodologia proposta pelo Prof. Simon Anholt (Simon é Professor Honorário da Universidade  East Anglia na Inglaterra).Certamente os objetivos do professor, que conforme o site do Ranking serviu como consultor de lideres de mais de 50 países, são nobres, porém não se pode concordar com os fundamentos que o levaram a selecionar as categorias de indicadores e nem os próprios indicadores, avaliados a partir de 35 bancos de dados da ONU.

Até o número 21 (EUA) estão quase todos os países europeus somados de Japão, Nova Zelândia e Austrália, estes dois últimos integrantes da Comunidade Britânica, e a Inglaterra em 4o lugar, pátria do ilustre professor.

Vejamos então o que foi selecionado de uma forma amostral, já que não pretendemos aqui dissecar metodologicamente o trabalho do Professor, papel que caberia ao Governo Brasileiro e suas instituições de pesquisa e apoio tecnológico, como o IPEA, que tem estrutura para tal.

Vamos analisar a categoria Ciência e Tecnologia na qual um dos indicadores é o número de estudantes estrangeiros estudando no país. Claro que o intercâmbio de estudantes se dá com maior intensidade entre os países mais ricos, os mesmos do topo do ranking – este forte intercâmbio trabalha para o bem comum da humanidade ou para um conjunto restrito de países ricos, eis a questão. Neste mesmo aspecto sabemos que os estudantes dos países em desenvolvimento e países pobres buscam estudar nos países mais ricos por serem oferecidas mais oportunidades e por estes dispor de um ensino de melhor qualidade e este fluxo “norte-sul”, mais uma vez contribui para que os “países bons” sejam os do bloco dos desenvolvidos.

Na mesma C&T consta o indicador o número de Prêmios Nobel – ora mais uma vez sabemos que o conselho do prêmio tem favorecido cientistas, artistas e escritores dos países desenvolvidos e não se pode considerar neutra as escolhas, além de que as condições dos países mais pobres no campo das ciências são infinitamente mais desfavoráveis para que nossos pesquisadores possam atender aos requisitos do Nobel. Em linguagem popular “é o gato correndo atrás do rabo”, ou seja, este outro indicador retroalimenta a seletividade positiva dos mais ricos, além de não medir claramente a contribuição deste fator para o benefício da humanidade, pela falta de fundamento quanto à justa distribuição dos conhecimentos gerados por estes Nobel’s.

Vamos ver agora no campo da cultura na qual um dos indicadores é a exportação de produtos criativos (arte em geral) – ora, só Hollywood isoladamente dá um banho na área cinematográfica. Será que esta produção esta contribuindo para o bem estar da humanidade ou para enriquecer mais ainda o complexo cinematográfico dos EUA. O conteúdo das produções exportadas foi considerado pelo Prof. Simon nos seus impactos positivos e negativos nos países importadores.Ficamos por aqui, como acima expressamos, somente com estes três exemplos sugerindo a assimetria distorcida do Ranking por ele criado.

Não temos conhecimento de um conselho composto por cientistas dos países investigados na formatação do tal Ranking. Pelo que nos parece é uma iniciativa própria e isolada do referido professor.

A nossa mídia deve ter muita cautela, no caso a Revista Exame, em dar espaço e publicidade a trabalhos como este antes de analisar as implicações deste Ranking que posiciona o Brasil em 49º lugar no geral, 98º em Ciência e Tecnologia e 158º  em Prosperidade e Igualdade – certamente o Brasil não um grande exemplo nestes dois campos, mas certamente os critérios do Professor Simon não tem alcance para classificar genericamente nossa C&T neste nível, nem seus indicadores sociais (baseados nos bancos de dados da ONU) tem legitimidade para medir nossa prosperidade que em primeiro lugar deve atender aos anseios e critérios de bem estar e felicidade do povo brasileiro e não da Inglaterra, França, Austrália ou Nova Zelândia.As nossas desigualdades sociais são muito mais complexas e historicamente fundadas que um vão índice elaborado na frieza do inverno da Europa possa qualificar ou quantificar.

Como diz o ditado “de bem intencionados o inferno está cheio”.

Com a palavra o Governo Brasileiro e o Ministro Serra!

 

 

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