Aterros sanitários de pequeno porte são opção para cidades menores

A pesquisa buscou avaliar se o método dos aterros sanitários de pequeno porte era adequado ou não.  Para isso foram escolhidas três cidades do Estado de São Paulo com clima, solos e outras condições diferentes entre si.

 

As cidades de Jaci, Angatuba e Luiz Antônio foram os alvos do doutorado denominado Avaliação da qualidade das águas subterrâneas e do solo em áreas de disposição final de resíduos sólidos urbanos em municípios de pequeno porte: aterro sanitário em valas.

Após a remoção de resíduos  sólidos das valas nas cidades em questão e preenchimento com terra, sondagem para atingir e avaliar também as camadas mais profundas do solo, perfurações nas valas e em locais próximos e coletas de amostras de solo e água subterrânea, entre outras etapas da pesquisa, o engenheiro contou que os aterros menores mostram-se viáveis como alternativa transitória.

 

“Os resultados encontrados são comparados com os limites de risco à saúde humana, que é um padrão para o Estado de São Paulo em geral, no gerenciamento de áreas contaminadas.”

 

“Nesses casos, deve-se considerar, ainda, que não há ocupação das áreas próximas às valas e portanto o risco à saúde humana não é confirmado” esclarece o autor da tese.

 

O estudo orientado pelo professor Wanderley da Silva Paganini, da FSP, envolveu:

 

–  A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo – CETESB, com análises químicas e levantamento de dados,

 

– A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – FAPESP,

 

– Auxílio na contratação de equipamentos e sondagem,

 

– O Instituto de Astronomia e Geociências – IAG,  da USP, com estudos geofísicos,

 

– Um professor e um mestrando do campus de Bauru da Universidade Estadual Paulista – UNESP.

 

Aceitação dos pequenos aterros

 

Iwai explica que os aterros de resíduos sólidos em pequenas cidades foram sistematizados em 1997 pela CETESB.

 

Para eliminar os lixões a céu aberto, os aterros pareciam ser uma opção simples e eficiente que pequenos municípios do Estado de São Paulo poderiam adotar.

 

No entanto, técnicos do assunto apresentavam críticas quanto à criação de uma área que poderia ser contaminada, já que eles não apresentavam todos os dispositivos de proteção ambiental utilizados em aterros sanitários convencionais, como impermeabilização e sistemas de drenagem de gases e lixiviados.

 

Mesmo assim, aproximadamente em 1999 o governo estadual aceitou o método como alternativa e foi criado um manual de implantação de aterros em valas. Houve uma opção de auxílio financeiro para a iniciativa em 281 municípios.

 

Após serem observadas melhorias e mudanças de cenário pela simplificação, em 2007 houve uma discussão em Brasília para estender a técnica para outros Estados.

 

Em 2008 foram estabelecidas, pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA, regras, em nível nacional, para o licenciamento de aterros de pequeno porte e a Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT  produziu normas para que o País inteiro pudesse usufruir da solução.  As diretrizes nacionais foram publicadas em 2010.

 

“Todo esse processo me incentivou a pesquisar melhor a concepção e qualidade dos aterros sanitários de pequeno porte,”conta Iwai.

 

Importância e validade

 

Apesar da viabilidade do método, o engenheiro deixa claro que é positivo aceitá-lo como uma condição transitória.

 

“Trata-se de uma evolução gradual que isso os aterros  podem fornecer, mas não se espera depender dessa tecnologia eternamente, como uma solução única. É necessário também trabalhar as pessoas culturalmente para redução da quantidade de resíduos destinada aos aterros sanitários.”

 

Políticas nacionais estabeleceram a meta, com prazo para 2014, que especifica que aterros sanitários poderão receber apenas rejeitos.

 

Ao contrário de resíduos, que podem ser reutilizados, recuperados ou reciclados. Rejeitos não podem ser reaproveitados.

 

O autor da tese destaca que a pesquisa se faz relevante ao argumentar em cima de questionamentos sobre os aterros sanitários de pequeno porte.

 

O estudo pode também comprovar a viabilidade do método, tendo em vista que ele continua se expandindo para outros estados.

 

Imagens: retiradas da tese disponível neste link

Mais informações: email  ciwai@sp.gov.br, com o pesquisador Cristiano Kenji Iwai

Matéria de Mariana Grazini, da Agência USP de Notícias

 

Publicada pelo EcoDebate, 11/12/2012

 

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