ÁGUA – É HORA DE PRESERVAR!!!

ÁGUA – É HORA DE PRESERVAR!!!

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A crise hídrica que abala o Brasil tem identidade, CPF e todos os demais documentos: a gestão equivocada, a falta de planejamento e de educação ambiental. Ao longo das últimas décadas a nossa população foi induzia a crer que “água não acaba” e reverter esta visão equivocada exige um grande esforço de mudança cultural, algo difícil de ser obtido sem uma grande mobilização de recursos, realização de campanhas de educação ambiental nas escolas, sindicatos e demais formas organizadas da sociedade.

Embora a mudança cultural venha a médio e longo prazo, ela é necessária e deve começar agora e por isto a ABIDES visitou o Parque Mãe Bonifácia em Cuiabá/MT e documentou a formação de uma nascente de água pura naquela unidade de conservação. Neste VÍDEO apontamos a incoerência da ação humana sobre os nossos recursos hídricos e a falta de compromisso dos governantes com a preservação ambiental, neste caso, representada pela deficiência na coleta e tratamento de resíduos sólidos e esgoto naquela capital.

Este vídeo da ABIDES é só uma modesta contribuição, mas que queremos ver disseminada em todos os setores responsáveis pela preservação das águas – ONG’s, governos, agências reguladoras, enfim, em toda nossa sociedade – só assim seremos capazes, através desta mudança de paradigma, identificar no microuniverso os abusos e desperdícios, bem como as omissões e com isto propor soluções para cada caso.

Assisti recentemente entrevista do Diretor Geral da ANA (Agência Nacional de Águas) sobre a crise dos reservatórios que abastecem a grande São Paulo. Nesta entrevista, a autoridade afirmava que não poderia opinar sobre as medidas diretas de uso racional da água para aquela região, pois definir estas medidas, sua extensão e prazos seriam atribuições do poder público estadual – ora, algo está muito errado neste modelo de gestão! Se o responsável maior pela condução da Política Nacional de Recursos Hídricos não pode, ou não quer opinar sobre esta crise que pode afetar 20 milhões de pessoas, então para serve a ANA. Esta agência tem responsabilidades legais e deve cumprir o seu papel na íntegra, na medida em que ações e iniciativas sejam necessárias para garantir os direitos da população de acesso à água, independentemente das circunstâncias políticas.

Há sim necessidade de se rever o modelo de gestão das águas no Brasil, não basta a ANA, não basta a legislação (considerada uma das mais avançadas no mundo) e nem a boa vontade – já se passaram muitos anos desde a criação da ANA (Lei 9.984/2000) e da criação do sistema de gestão de recursos hídricos.

O fato concreto é que este arcabouço legal não foi suficiente, e a prova disto são as crises hídricas afetando diversas capitais e cidades do país e particularmente atingindo a geração de energia elétrica. Os Comitês de Bacias evoluíram aquém do necessário e os conflitos de representatividade/responsabilidades dificultaram o encaminhamento de soluções – a ANA também não atuou a tempo na questão da crise dos reservatórios das hidrelétricas e no problema central da implantação das usinas “a fio d’água”, demonstrando que falta corrigir o modelo, pois o setor elétrico e o setor hídrico tem que andar em sintonia, num país cuja energia elétrica depende quase 80% das águas superficiais.

As implicações do desmatamento, particularmente no Bioma Cerrado, com a crise hídrica precisam ser mais bem observadas e analisadas, de modo que este processo não venha a comprometer ainda mais os recursos hídricos da região central do país com os desdobramentos nas áreas de energia, produção de alimentos, lazer e transporte aquaviário.

Não dá mais para esperar por soluções mágicas – a hora é agora para as ações efetivas visando à reforma do sistema de gestão das águas e de mitigação dos equívocos, danos e das pressões sobre os nossos mananciais.

 

 

 

 

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