Agricultura que preserva a floresta motiva Caravana Agroecológica à Amazônia

 

floresta

 

Agroextrativistas, agricultores, lideranças dos movimentos sociais do campo e organizações da sociedade civil de todas as regiões do Brasil viajarão a comunidades de Santarém para descobrir o que significa fazer agroecologia na floresta Amazônica.

 

A Caravana Agroecológica e Cultural de Santarém será realizada nos dias 22 a 25 de setembro, com a participação de cerca de 100 pessoas e dois roteiros envolvendo sete comunidades:

 

– Um passa pela Reserva Extrativista – RESEX Tapajós-Arapiuns

– E o outro pela Floresta Nacional do Tapajós – FLONA, incluindo a BR-163 e o município de Belterra.

 

A visita vai permitir conhecer a economia das comunidades, seus projetos para melhorar as condições de vida na floresta, como as Oficinas Caboclas, com produção de moveis e artefatos com aproveitamento de resíduos de madeira, micro-sistemas de abastecimento de água, beneficiamento de produtos da mandioca e do extrativismo, viveiros de mudas para reposição florestal, entre outros.

 

Debaterão com os povos da floresta, como os  indígenas, ribeirinhos, quilombolas,  os impactos de programas federais, como o Bolsa Verde.

 

Na oportunidade, os participantes da caravana também poderão conhecer novos e antigos conflitos territoriais que ameaçam os modos de vida das comunidades, impedindo o avanço da agroecologia.

 

São exemplos, o projeto de construção de usinas hidrelétricas no Tapajós, o interesse os projetos das empresas de mineração na região, a expansão da fronteira agrícola em direção à Amazônia, incluindo questões como o escoamento da produção de soja e a ação das madeireiras.

 

Outro tema importante são as vitórias e desafios das comunidades para gestão destes territórios.

 

De volta a sede do município de Santarém será realizado um seminário de encerramento com debates sobre Os Desafios do Agroextrativismo na Amazônia e sobre Economia Verde e Serviços Ambientais -PSA.

 

As entidades responsáveis pela organização:

 

–  Centro de Apoio a Projetos de Ação Comunitária – CEAPAC,

–  Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Santarém,

–  Terra de Direitos,

–  Casa Familiar Rural de Santarém – CFR, FASE

–  Associação Agroecológica Tijupá.

 

Esta caravana faz parte da mobilização do movimento pela agroecologia no Brasil para a construção do III Encontro Nacional de Agroecologia, a ser realizado em 2014.

 

A   Articulação Nacional de Agroecologia (ANA)  é uma rede que reúne centenas de outras redes e organizações de todo o Brasil, interessadas em promover a agroecologia, baseada na produção de alimentos saudáveis, sem agrotóxicos, mantendo o equilíbrio entre os homens e mulheres e com a natureza, a partir do fortalecimento de sujeitos políticos e da sua atuação política.

 

Para tal, a articulação preocupa-se com a construção da autonomia dos povos e comunidades, considerando uma diversidade de temas tais como:

–   a posse da terra e os direitos territoriais;

–  a saúde;

–  a soberania e segurança alimentar e nutricional;

–  a proteção, manejo e conservação dos recursos naturais;

–  o acesso a mercados e o direito ao trabalho;

–  a conservação da agrobiodiversidade

–  a igualdade de gêneros.

 

Seguindo a metodologia de outros eventos organizados pela ANA, o objetivo da Caravana Agroecológica e Cultural de Santarém é promover a troca de experiências entre agricultores fortalecendo experiências, a partir do olhar sobre os territórios onde elas acontecem.

 

AQUI, MAIS DETALHES SOBRE A PROGRAMAÇÃO

 

22/10

· 16h – Abertura no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santarém

 

Com sessões de apresentação da Articulação Nacional de Agroecologia, o III Encontro Nacional da entidade e o projeto das Caravanas Agroecológicas. Serão também apresentados o contexto local e os dois roteiros a ser visitados pelos participantes.

 

20h – deslocamento dos participantes do roteiro FLONA para o Centro de Formação Chico Roque

 

22h – saída do barco para Resex Tapajos-Arapiuns

 

23 e 24/10 – Visita às comunidades

 

25/10 – Seminário de encerramento “Desafios do Agroextrativismo” e avaliação.

 

23 e 24/10

 

Roteiro 1 – Reserva Extrativista/RESEX-TAPAJOS ARAPIUNS

 

23/10 – Comunidade Solimões

 

– Conversa com lideranças locais – STTR, TAPAJOARA, lideranças comunitárias,   sobre:

a)  o processo de luta de terra para conquista da RESEX

b) os novos conflitos de terra na RESEX – impactos UHE Tapajos;

c)  as formas de organização comunitária; e a identidade indígena;

 

– Visita a experiências de viveiro comunitário de mudas, de reposição florestal, do Fundo Dema, de beneficiamento e comercialização da borracha.

 

24/10 – Comunidade Surucuá  – Pela Manhã

 

– Conversa com lideranças comunitárias sobre a cultura da comunidade, economia, educação, saúde, impactos de programas governamentais, como o Bolsa Verde, e a atuação dos movimentos sociais na área;

 

– Visita às experiências de Oficinas Caboclas, com produção de moveis e artefatos com aproveitamento de resíduos de madeira, trabalhos nos roçados, micro-sistema de abastecimento de água e comunicação;

 

24/10 – Comunidade Santo Amaro – à tarde

 

– Participação na atividade de capacitação do STTR de melhoramento da farinha de mandioca;

 

Roteiro 2 – FLONA TAPAJÓS E PLANALTO SANTARENO;

 

23-10 – FLONA DO TAPAJOS E BR-163

 

Manhã – Comunidade do Maguary – FLONA/Município de Belterra

 

– Conversa com lideranças sobre o processo de luta de terra e as transformações na gestão da FLONA; os novos conflitos na FLONA; e a organização comunitária;

 

– Visita a experiência com artesanato de borracha, comercialização, beneficiamento, atividades com mulheres.

 

Tarde – Comunidade do Prata – BR-163/Município de Belterra

 

– Visita a Casa Família Rural/CFR e a experiência da pedagogia da alternância.

 

24-10 – PLANALTO/REGIÃO CURUÁ-UNA

 

– Visita a comunidade quilombola do Murumurutuba – Conversa com lideranças da Federação das Organizações Quilombolas de Santarém/FOQS;

 

– Visita a experiência com açaí e pesca;

 

– Comunidade de Bom Jardim, visita a experiência de extrativismo, casa da farinha e beneficiamento de peixe;

 

25/10 – Seminário de Encerramento, Avaliação e Ato Público ou Encerramento.

 

08:30 as 09:30h – Reflexões sobre Os Desafios do Agro-extrativismo na Amazônia.

 

11 as 12:30 – Reflexões sobre Economia Verde na Amazônia – serviços ambientais, REDD

 

Colaboração de Lívia Duarte, da FASE

 

Para o EcoDebate, 16/10/2013

 

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