A Nova Extensão Rural e o Desenvolvimento Rural Sustentável

Mecanicista, disjuntiva e reducionista, que desconsidera a complexidade do mundo, fraciona os problemas, perde a noção de totalidade.

 

No geral, essas são as visões pelas quais a extensão rural oficial, as instituições de pesquisa oficial e outras instituições e entidades da sociedade civil, durante muito tempo, nortearam-se para analisar e avaliar os sistemas produtivos da agricultura, olhando a parte como se fosse o todo.

 

A nova extensão rural precisa trabalhar orientada pela observação das dinâmicas dos sistemas produtivos da agricultura, que trocam insumos e energias entres seus subsistemas e se relacionam com outros sistemas no entorno.

 

Ou seja, a nova extensão deve seguir por uma abordagem de enfoque sistêmico, que procure identificar todos aqueles fatores que, de alguma forma, afetam o comportamento da unidade produtiva em seu conjunto.

 

Esse novo método de pesquisa e extensão agropecuária intenta apreender e difundir a globalidade dos sistemas de produção.

 

Construir esta nova extensão rural significa construir novos valores, outras formas de ver e compreender o mundo pelo enfoque da Teoria Geral de Sistemas.

 

Para delinear a “nova extensão rural” é preciso identificar rumos, conhecer os agricultores e suas formas de organização, sua dinâmica, sua lógica, seus valores, suas experiências, sua história e, por que não, suas pretensões e valores multicritérios: as dimensões de caráter econômico, social e ambiental que eles dão para sua sobrevivência e reprodução social.

 

É imprescindível reconhecer que os agricultores têm experiências acumuladas, embora não sistematizadas. É preciso reconhecer a importância de tais experiências para iniciar qualquer diálogo.

 

Quanto à assistência técnica e extensão rural públicas, elas não podem mais se ater aos pacotes tecnológicos prontos; é preciso respeitar as diferentes aptidões produtivas e de serviços, apoiando a multifuncionalidade do meio rural, de modo que não se definam atividades apenas sob a ótica da produção, mas, principalmente, sob a ótica da renda, e de sua segurança e estabilidade.

 

É preciso conhecer o território onde estão inseridos estes agricultores e suas comunidades.

As perspectivas e diretrizes para o desenvolvimento rural de forma sustentável dirigem-se à implementação de medidas que integrem as comunidades locais, que difundam os resultados realizados e sistematizados para se obter informações sobre a situação social, econômica e ecológica da área e que promovam as intervenções, sejam de assistência técnica ou das decisões sobre políticas públicas, necessárias à promoção desse desenvolvimento com base na gestão territorial sustentável.

 

Ademais, a extensão rural adquire seu potencial político na medida em que valoriza e inclui os produtores envolvidos no processo de desenvolvimento no trabalho em grupo, gerador de um espaço para discussão, buscando-se soluções para os problemas encontrados e promovendo a circulação de informações.

 

Deve-se considerar que os grupos de interesse têm formas particulares de compreender a realidade, de interpretar as alternativas e de comprometer-se com as propostas, participando das decisões sobre o que colocar em prática.

 

Os pesquisadores e extensionistas devem evitar a designação de soluções prontas, compartimentadas por sistemas de cultivos e criação de animais, buscando sempre integrar as comunidades locais, que possuem o conhecimento desde questões simples, como a indicação de pontos apropriados para coletas de dados, até a apresentação de prioridades locais de interesse comum, como guia para a formulação de formas de manejo ou alternativas tecnológicas adequadas.

 

Portanto, pelo enfoque e visão sistêmica dos sistemas de produção, os resultados dos trabalhos de campo, tanto dos extensionistas quanto dos pesquisadores, devem promover ferramentas para análise, armazenamento, tratamento e sistematização das informações coletadas, bem como a difusão e comunicação de informações, num projeção espaçotemporal sobre as tendências e alternativas viáveis para o planejamento e desenvolvimento rurais sustentáveis.

 

João A. Mangabeira é Engº Agrônomo, Pesquisador da Embrapa Monitoramento por Satélite, Dr. Desenvolvimento Econômico, Espaço e Meio Ambiente, e-mail: joao.mangabeira@embrapa.br

 

Sérgio Gomes Tôsto é Engº Agrônomo, Pesquisador da Embrapa Monitoramento por Satélite, Dr. Desenvolvimento Econômico, Espaço e Meio Ambiente.  e-mail: sergio.tosto@embrapa.br

 

Lauro Charlet Pereira é Engº Agrônomo, Pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, Dr. Planejamento e Gestão Ambiental, e-mail: lauro.pereira@embrapa.br

 

EcoDebate, 16/10/2013

 

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