A “inexorável extinção” do Rio São Francisco…

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Recentemente, tivemos acesso ao livro “Flora das caatingas do Rio São Francisco: história natural e conservação” 

Andrea Jakobsson Estúdio, que traça o mais completo perfil sobre a vegetação do Velho Chico.

Este material foi produzido por mais de cem especialistas de todo Brasil e o prognóstico é sombrio. Vamos saber o porquê?

Os dados reunidos neste material é fruto de 212 coletas de campo que somam mais de oito voltas ao redor de nosso planeta – 344 mil quilômetros.

Atualmente, o Rio São Francisco passa pela transposição de suas águas e tal fato pode ser o responsável por profundas mudanças na paisagem do entorno do rio.

Transpor as águas do Velho Chico, sem um acompanhamento sistemático desta ação com a flora e fauna da região é extremamente danoso para o próprio Chico.

Em 556 páginas e quase três quilos de textos, mapas e muitas fotos, a publicação é o mais completo retrato da Caatinga, único bioma exclusivo do Brasil e extremamente ameaçado.

O título do primeiro dos 13 capítulos, assinado por Siqueira, é um alerta: “A extinção inexorável do Rio São Francisco”.

Neste capítulo, o autor reúne os elementos de fauna e da flora que já foram perdidos. É como uma bicicleta sem corrente, como anda? E se ela estiver sem pneu?

E se na roda estiver faltando um raio, e quando a quantidade de raios perdidos é tão grande que inviabiliza a bicicleta? Não sobrou nada no Rio São Francisco.

Sinceramente, não sei o que vai acontecer comigo depois do livro, mas precisava dizer isso, desabafa o professor Siqueira, da Univasf.

— Queremos que o livro sirva como um marco teórico para as próximas décadas. Vou provar daqui a dez anos o que está acontecendo.

Dentre as consequências que já podemos ver hoje, temos o fim da piracema, uma vez que os peixes não conseguem mais subir o rio para se reproduzir, o declínio do número de cardumes e da variedade de espécies é intenso.

Entre as mais afetadas, as chamadas espécies migradoras, entre elas curimatá-pacu, curimatá-pioa, dourado, matrinxã, piau-verdadeiro, pirá e surubim.

Não foram as barragens as únicas culpadas pelo esgotamento de estoques pesqueiros do Velho Chico.

Programas de incentivo da pesca, que não levaram em consideração a capacidade de recuperação dos cardumes, aceleraram a derrocada da atividade.

Espécies exóticas, introduzidas no rio com o objetivo de aumentar sua produtividade, entre elas o bagre-africano, a carpa e o tucunaré, se tornaram verdadeiras pragas, sem oferecer lucro aos pescadores.

No que tange a Flora, 1.031 espécies foram registradas, sendo 136 (13,2%) restritas à Caatinga.

Além disso, 25 espécies cuja ocorrência não era conhecida no Nordeste foram encontradas. Situação semelhante ocorreu com 164 plantas, nunca antes observadas na Caatinga.

Mas a cereja do bolo é uma nova espécie coletada por pesquisadores, que ainda estão trabalhando com as informações obtidas em campo para publicar, até o final do ano, a descrição da planta em uma revista especializada.

— A espécie mais próxima desta é do Charco, na Argentina e Paraguai. Isso mostra uma relação entre Caatinga com aquele bioma, são ecossistemas incríveis, ressalta Siqueira.

— Este é um dos resultados fabulosos do trabalho, mostra mais uma vez que a Caatinga não é pobre, homogênea nem o patinho feio dos biomas.

Fica aqui o nosso relato sobre a atual situação do Velo Chico.

Compartilhe esta informação. Todos os brasileiro tem o direito de saber.

 

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