A controvérsia socioambiental de megausinas de energia solar

Projeto Ituverava, enorme usina de energia solar, em construção na Bahia

Está em construção, na Bahia, a usina de energia solar atualmente chamada Projeto Ituverava, que, quando pronta, será a maior usina fotovoltaica da América Latina.

Prevê uma capacidade de geração de 253MW e produção anual de 500GWh.

O projeto tem sido elogiado por muitas pessoas, que acreditam que ele é um grande passo adiante na sustentabilização da geração de eletricidade no Brasil.

Mas será que sua construção é realmente uma notícia positiva para o meio ambiente e a sociedade?

Faço essa pergunta tendo em vista dois problemas que permeiam esse e outros projetos enormes: os impactos ambientais negativos de usinas solares de grande porte e os problemas inerentes à geração centralizada e capitalista de energia.

Levando-os em consideração, podemos perceber que megausinas de energia renovável podem deixar de ser uma esperança para se tornar um pesadelo, mais um entre tantos com que somos obrigados a lidar na temática ambiental.

Em relação aos impactos ambientais, são numerosos, ao contrário do que a fé do senso comum acredita.

O site governamental estadunidense Solar Energy Development Programming EIS expressa preocupações com as seguintes consequências destrutivas:

– Perturbação de áreas vizinhas, como fazendas, unidades de conservação ambiental, cidades etc., devendo essas usinas ser construídas isoladas, distantes de locais onde possam causar esse tipo de interferência;

Desmatamento local e destruição de colinas, morros e vales, com o aplainamento do terreno;

Morte de pássaros que sobrevoarem os painéis, mesmo dezenas de metros acima, por queimaduras e calor excessivo;

Uso intensivo de energia não renovável e metais pesados na fabricação dos painéis solares e outros equipamentos da usina.

Além disso, quando usadas para fins de abastecimento industrial, para favorecer a construção e inauguração de novas fábricas, as megausinas podem provocar impactos ambientais indiretos, por conta das consequências nocivas daquelas empresas que não vierem a promover uma gestão ambiental séria.

Já em se tratando da geração de energia de maneira centralizada e com fins capitalistas, temos como consequências indesejáveis a dependência crônica da população abastecida da empresa que transmite a energia.

Quando submetida a uma regulação econômica fraca, a companhia pode se sentir no direito de aumentar abusivamente as tarifas e não prover um serviço decente, tal como tem acontecido comumente em grande parte do Brasil.

E famílias que não podem arcar com uma energia cara podem ter diversos direitos inviabilizados, como a alimentação, a segurança, o lazer, a proteção contra calor ou frio excessivos e o conforto fisiológico básico do descanso e do sono.

Em outras palavras, a aparente solução ambiental da megausina solar pode apertar ainda mais os grilhões que prendem os cidadãos à ordem capitalista.

Uma solução realmente sustentável, com impactos socioambientais adversos muito pequenos, seria a geração descentralizada de eletricidade renovável.

Cada casa ou comunidade contaria com sua própria usina de pequeno porte, que poderia, a depender da região e de suas peculiaridades geográficas, ser movida a energia solar, a ondas, a calor geotérmico, a força eólica, entre outras, inclusive hidrelétrica, uma vez que a usina não desfigure o rio onde for implantada nem desmate as margens.

Isso tornaria as pessoas independentes de taxas e tarifas para se sustentar e desfrutar de todos os direitos inerentes ao consumo de eletricidade.

O dinheiro que hoje é pago para empresas de transmissão de energia teria muitas outras possibilidades de ser despendido ou investido comunitariamente.

O fortalecimento dos movimentos sociais tem levado a sociedade a repensar aquilo que parecia ser uma solução ecológica formidável, mas na verdade tem impactos socioambientais bastante destrutivos.

E o caso de megausinas de energia solar como o Projeto Ituverava é uma dessas coisas a serem reavaliadas pela população.

Precisamos reivindicar e desenvolver alternativas que realmente poupem o meio ambiente de grandes consequências destrutivas e promovam a democratização econômica.

 

http://consciencia.blog.br/2016/02/

 

 

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