PALMA DE ÓLEO (DENDÊ)

Nova Fronteira Agrícola de Mato Grosso

Qual seria o insumo básico apto a ser utilizado em frituras industriais, margarinas, massas e biscoitos, chocolates e sorvetes, cosméticos, sabão e sabonetes, detergentes e biodiesel?

A resposta é desconhecida da maioria da população – é o óleo de palma (óleo de dendê) – é o óleo mais consumido no mundo; são 70 milhões de toneladas na safra 2017/2018 correspondendo a 35.3% da produção mundial de óleo vegetal, em primeiro lugar. Logo em seguida vem o óleo de soja com 56 milhões de toneladas ou 28.4% e em terceiro lugar vem o óleo de corsa (rapeseed) com 29 milhões de toneladas ou 15.5% da produção mundial.

A produtividade do óleo de palma é de 4 toneladas/ha/ano, e do óleo de soja é 400 kg/ha/ano, o que confere uma grande vantagem a favor do óleo de palma que é produzido em grande quantidade pela Indonésia (54%), Malásia (32%); o Brasil ainda tem uma produção relativamente pequena correspondente a somente 0.6% da produção mundial, abaixo da Colômbia na América do Sul, com 1.8%, ou seja, 3 vezes a produção brasileira. Atualmente produzimos 457.000 toneladas, importamos 330.000 toneladas e consumimos perto de 600.000 toneladas, com produções concentradas nos estados do Pará, Roraima e Bahia.

De acordo com o zoneamento econômico e ecológico da cultura da palma de óleo produzido pela Embrapa, Mato Grosso tem condições altamente propícias para desenvolver a produção de óleo de palma em termos de clima, solo e mão de obra da agricultura familiar. Atualmente há linhas de financiamento do BNDES dirigidos para a produção de palma de óleo até R$ 80.000 para cada família cultivando um módulo de 10 ha, o que potencializa uma renda mensal média de R$ 3.500,00.

A cultura de palma de óleo no Brasil só é permitida em áreas degradas, de modo que não há desmatamento como ocorreu em outros países. Somente em Mato Grosso temos o potencial de 7 milhões de hectares aptos para a cultura da palma de óleo sendo 204.000 ha de áreas preferenciais e 6.800.000 ha em áreas regulares, que necessitam de algum grau de irrigação.

Atualmente a Embrapa Agrossilvipastorial de Sinop desenvolve pesquisas com diversos cultivares na busca de definir a lamina mínima de irrigação para as condições de Mato Grosso e também estuda as características desses cultivos em termos de qualidade e produtividade de modo que já dispomos de condições para o desenvolvimento da cultura da palma de óleo em nosso estado em bases seguras de informações. Além do mais, as experiências de sucesso do Para e de Roraima irão servir de referência para os plantios em mato Grosso.

O modelo de implantação de projetos de palma de óleo irá seguir as experiências destes dois estados no qual a iniciativa privada desenvolve os projetos de cultivo e de plantas de produção do óleo, com incorporação da agricultura familiar em contratos de aquisição da produção e/ou produção própria através de plantações em larga escala.

Em recente evento em Alta Floresta, liderado pela Empaer/MT foi recomendado a estruturação de dois projetos pilotos envolvendo duas áreas 1.000 ha cada na região norte/nordeste do Estado. Temos condições ideais, por exemplo, em Cotriguaçu e em Alta Floresta que apresentam precipitações totais anuais de 2.484 mm e 2.181 mm respectivamente, ambas superiores ao índice recomendado de 1.800 mm por ano.

Acreditamos que a palma de óleo faz parte do futuro do desenvolvimento de Mato Grosso como um dos maiores produtores de óleos vegetais e de biodiesel do Brasil. Essa nova fronteira de geração de riquezas deve ser iniciada agora, com coragem e determinação como forma de agregar o pequeno produtor rural e a agricultura familiar na distribuição da renda do campo e agregando valor aos nossos produtos primários.

Mato Grosso não pode depender somente de cultura temporárias sujeitas às variações do clima e dos mercados e o óleo de palma cria uma base mais estável na nossa matriz produtiva, que necessita dessa diversificação para garantir maior estabilidade e competitividade.

Eng. Civil Everton Carvalho

Presidente da ABIDES

Pesquisador do Niepe/UFMT

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Copy Protected by Chetans WP-Copyprotect.