CHINA – REVOLUÇÃO SEM ARMAS!

 

A ABIDES atualizou os dados do Índice Brasileiro de Sustentabilidade e Competitividade, introduzindo os valores correspondentes aos anos de 2013 e 2014.

Para esta análise, consideramos que o Brasil é um país em desvantagem em relação às sete maiores economias do mundo. Devemos estabelecer esta diferença, para que possam ficar mais evidentes e definíveis os fatores mais críticos que caracterizam esta assimetria de competitividade.

Para que a assimetria de competitividade possa ser devidamente quantificada e qualificada, criamos o Índice Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável e Competitividade – IBDC, composto pelos indicadores abaixo:

  • IDH
  • Mercados
  • Poder Militar

O IDH, Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, reflete a realidade socioeconômica de forma ampla, por combinar fatores sociais com fatores econômicos, definindo níveis universais de medida da qualidade de vida das populações.

O acesso aos mercados dá uma dimensão real – uma foto instantânea – da capacidade dos países em participar do comércio internacional, representando a habilidade de produzir bens e serviços com qualidade e competitividade. Nesta dimensão também se insere a capacidade científica e tecnológica. O índice reflete a soma das exportações e importações de cada país relativas ao maior índice.

O poder militar é medido pela soma de pontuações (0.25 para países que dispõe de forças armadas regulares significativas, 0.25 para países membros de blocos militares e 0.5 para países possuidores de arsenais nucleares). O poder militar deve ser levado em conta em termos de competitividade global, pois os conflitos atuais e futuros sempre estarão correlacionados com interesses comerciais e estratégicos. O conflito do Oriente Médio, e particularmente a situação do Iraque, com impactos adversos sobre o preço do petróleo, comprova a importância do poder militar na definição dos cenários geoeconômicos.

Para se estabelecer o Índice Brasileiro de Competitividade, os fatores IDH, o Acesso a Mercados e Poder Militar, foram ponderados pelos pesos 5, 3 e 2 respectivamente.

Os resultados da atualização até o ano de 2014 estão sumarizados no gráfico abaixo.

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Em relação à nossa última análise sobre os resultados até 2012, constatamos os seguintes fatos relevantes:

  • No âmbito geral, podemos identificar três categorias de países; a primeira categoria (C1) é composta por países europeus com índices próximos de 0.80 (França, Alemanha e Inglaterra), em seguida uma segunda categoria (C2) composta por países com índices próximos de 0.60 (Canadá, Itália, Japão e Rússia) e outra categoria (C3) composta por países em desenvolvimento com índices próximos a 0.50 (Argentina, Brasil e Índia) – a China será tratada como um caso à parte.
  • Nas categorias C1 e C2 ficam evidentes os efeitos da crise de 2008, cujos efeitos negativos são sentidos a partir de 2009. Em geral os países destes grupos ainda não se recuperaram totalmente da crise, no máximo estabilizaram na forma peculiar a cada um, com exceção do Japão, que não sentiu muito o impacto da crise apresentando uma melhoria do índice de em 2010 e 2011, mas sofre uma queda expressiva nos três anos seguintes em função dos impactos de catástrofes naturais. A Inglaterra é o país que relativamente menos sofre com a crise e já em 2013 e 2014 apresenta um crescimento relativo relevante.
  • Na categoria C3 observamos que os países reagiram inicialmente melhor à crise de 2008 a exemplo do Brasil e da Argentina, porém os índices estagnaram-se após a crise. A Índia, que vinha experimentava crescimento expressivo do índice, entra em estagnação após a crise. Estes países são beneficiados com aumento do comercio exterior e no caso da Argentina uma expressiva melhoria do IDH em 2014 sustenta sua estabilidade em termos do índice.
  • O Canadá se destaca pela estabilidade ao longo de todo o período do levantamento e quase não é afetado pela crise de 2008.
  • Os Estados Unidos apresenta quase ao longo de todo o período no top do ranking reduzindo os valores do índice em 2013 e 2014 em decorrência de ter sido ultrapassado pela China no comércio exterior.
  • A China continua a ser o grande diferencial ao longo do período, saindo de um índice de 0.54 em 2000 para 0.85 em 2014, o que nos levou a qualificar este crescimento expressivo afirmando que “a China realizou uma revolução sem armas”. Conforme mostrado no gráfico, considerando a média de crescimento do índice de 2005 a 2014, a China alcançara os Estados Unidos em aproximadamente 7 anos, portanto em 2023.

Em termos gerais, a crise de 2008 foi o fator mais relevante em termos de redução ou estabilização do índice para a maioria dos países. Os países europeus foram os que mais sofreram com estes impactos e o Brasil, que vinha melhorando seus índices até 2011, experimenta uma estabilização com tendência a uma redução em função da crise econômica interna que já afetou o índice de 2014 e provavelmente afetará negativamente ainda mais o índice de 2015 devido à recessão e outros fatores que influenciam o IDH e comércio exterior.

É importante realizarmos um controle de qualidade do IBDSC comparando com índices mais complexos.

Abaixo apresentamos um quadro comparativo dos IBDSC de 2014 com o Índice (2015) de Competitividade Mundial (World Competitiveness Yearbook) publicado pelo International Institute for Management Development (IMD) desde 1989.

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Na coluna IBDSC14-FA estão apresentados resultados nos quais se excluí a influencia do fator militar, pois que este fator não está incluído no WCY15. Nas colunas R14, R15 e R14-FA computamos o ranking dos países para as três categorias e podemos constatar que os desvios são bem pequenos para a grande maioria dos países; somente no caso do Canadá há um desvio mais significativo, provavelmente pelo fato de o WCY15 levar em conta fatores não incluídos no IBDSC. Entretanto, o caso do Japão evidencia a influencia do fator militar, pois ao excluir este efeito, o Japão passa de 9º para 4º no ranking do IBDSC2014.

Eng. Everton Carvalho

Presidente da ABIDES

Cuiabá – 15/06/2016

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