2018: O inter-homem como fator inovador.

2018: O inter-homem como fator inovador.

Cabe-nos na entrada deste ano de 2018 rever as questões relevantes com potencial de impacto sobre o desenrolar da história neste novo período de revolução terrestre em torno do sol. Dentre elas o destaque é para o indivíduo, homem ou mulher, como agente preponderante das transformações que definem a ambiência da vida tanto na sua dimensão material, no sentido da sua dependência dos elementos concretos da natureza, dos elementos derivados da transformação das matérias primas em alimento, produtos e serviços, quanto nos aspectos espirituais, éticos e morais.

Nossa proposta é rever a “individualidade” remetendo-a ao conceito da “individualidade compartilhada“, como o cerne da compreensão da presença humana na construção da sociedade planetária. Certamente o homem (latus sensus daqui para a frente) tem seu cerne corporal composto por sistemas que permitem sua sobrevivência e locomoção no tempo e no espaço, porém, as interações deste conjunto com o bioma terra e seus componentes, sejam eles animais como materiais são fatores indissolúveis, na medida em que as interfaces entre estes se inter-relacionam de forma biunívoca e indissolúvel, tal como, por exemplo, o ar é elemento essencial para a vida humana.

Neste prisma, a interatividade homem-homem exerce um papel especial considerando que as trocas entre os seres humanos, a abrangência e a força social destas definem as condições de sobrevivência, de felicidade e infelicidade, de sucesso e de insucesso, de guerra ou de paz,  tanto dos indivíduos quanto das células sociais, desde a escala da família, dos arraiais, das vilas, favelas, sítios, cidades, estados e nações.

Elemento central nesta equação complexa é a liberdade, elemento funcional da maior ou menor interação, seja esta para o bem ou par o mal. Nietzsche define em “A Gaia Ciência” com muita propriedade a essência da liberdade como a parte mais pura da energia do “inter-homem“, aquele para o qual a individualidade deixa de ser individual para ser coletiva, passagem que necessariamente deve constar abaixo:

 

“Que desagradáveis são aqueles em que toda tendência natural se torna imediatamente doença, algo que altera ou  mesmo algo de ignominioso – estes nos induziram a pensar que as inclinações e os instintos do homem são maus; eles são a causa de nossa grande injustiça para com a natureza, para com toda a natureza! Não faltam homens que poderiam se entregar a suas inclinações com a  graça e inconsciência; mas não o fazem, com receio desse “mau espírito” imaginário da natureza!

É por isso que se encontra tão pouca nobreza entre os homens: porque a nobreza  se reconhecerá sempre no fato de ela não ter medo de si própria, não esperar dela nada vergonhoso e voar sem hesitação por toda parte, voar para onde somos impelidos – nós, pássaros livres! Para onde quer que formos, tudo se torna livre e ensolarado em todos nós.”

Se transformar é uma tendência natural, dadas às condições conflituosas da atual sociedade planetária, transformar agora é sinônimo, no mínimo, de sobrevivência da humanidade, pois esgotadas estão as diversas formas de relação entre pessoas, povos e nações, levando ao visível esgarçamento dos  modelos de organização social e política. Nietsche esteve sempre muito à frente de seu tempo e de certa maneira previa este esgarçamento que necessariamente terá que ser corrigido, a tempo de evitarmos a “grande catástrofe” – neste âmbito há que se rever imediatamente o papel das crenças e religiões, pois alguns destes segmentos contribuem decididamente para acirrar disputas e promover conflitos armados entre facções e mesmo entre países, quando deveriam ser catalisadores da harmonia entre os povos.

Certas seitas (que se autointitulam de religiões) justificam a máxima de que “religião é o ópio do povo”, na medida em que promovem alienação, exploração e manutenção do sistema oligárquico de exploração de amplas camadas da população mais carente – veja o caso de presidentes da república que juram sobre a bíblia em nome de Deus, defender a justiça e os mais desprotegidos, mas agem exatamente em sentido contrário; ladrões, corruptos que frequentam igrejas esbravejam o nome de Deus, mas surrupiam o dinheiro público, causando mais miséria e sofrimento,

Enfim, cronologicamente estamos passando para 2018 e mesmo que céticos achem que seja hoje uma data comum, não o é, pois a perspectiva de um novo ano mexe com o imaginário e com as emoções das pessoas, que subitamente identificam a necessidade de ser e se sentir solidários, um sinal de que o inter-homem está presente em nós pelo menos neste momento. Nos cabe ter a sabedoria para que esta onda solidária saia do espaço de uma noite de celebração e se estenda por todo o ano, por décadas, por séculos até a eternidade!

Eng. Nuclear Everton Carvalho

Presidente da ABIDES

 

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