O GRANDE ÊXODO

 

O GRANDE ÊXODO

CARTA A VILMAR BERNA

seca

 

Prezado Vilmar,

Parece ficção, mas não é. Em 15 de dezembro de 2014 numa grande metrópole de um país da América do Sul, um monstruoso engarrafamento acontece – a população foge para outras regiões do país na busca de água. O parque industrial parou a produção e o Governo decretou Estado de Calamidade Pública, e o racionamento de água foi oficializado. Após 45 dias sem água para beber, cozinhar, tomar banho e simplesmente dar a descarga, a situação se tornou insuportável, motivando o primeiro Grande Êxodo no continente Sul Americano.

São milhares de carros abarrotados de gente e malas, todos na busca de regiões com oferta de água – alguns rumaram para o Sul, outros para o Centro Oeste, para a região do Pantanal, e outros para o Norte, para acessar as vastas reservas de água da Bacia Amazônica – claro ninguém se dirigiu para o Nordeste, que vive uma das secas mais graves do século.

Bem, meu caro Vilmar – a pergunta é, porque os Governos (Estadual e Federal) não foram capazes de prever e se prevenir de tal cenário – para que ANA’s, SABESP’s, Secretarias de Assuntos Estratégicos, Ministérios das Minas e Energia e do Meio Ambiente, se estes órgãos do Estado não conseguiram cumprir as suas atribuições. Claro, estavam preocupados em negar a crise e atender aos marqueteiros das campanhas eleitorais – “o Povo que se f…”

Pois é Vilmar – chegou a hora de encararmos a verdade. A água é um recurso de usos múltiplos e insubstituível. Os grandes reservatórios, como os lagos de Sobradinho e Furnas e as bacias hidrográficas servem para atender as demandas de geração de energia elétrica (75% da capacidade elétrica instalada no País), da irrigação (maior consumo de água) das indústrias e da população. Na atual grave crise elétrica (os reservatórios da região SE/CO atingiram o nível de 18.68% em outubro/2014 – abaixo do limite de 20% antes da crise de 2001) e todas as usinas térmicas do país estão acionadas desde setembro de 2012, queimando óleo diesel, carvão e gás natural, emitindo mais de 250 milhões de toneladas de CO2 – o país, que se vangloria de ter uma matriz energética renovável e limpa, entra na contramão da história, neste momento de alerta máximo do IPCC quanto ao aquecimento global.

Venho alertando há mais de 10 anos que chegou a hora de abolimos os preconceitos contra o uso da energia nuclear, único caminho para aumentar a capacidade de geração elétrica no país em grande blocos de energia para atender á demanda crescente, sem emitir CO2 e sem depender das chuvas.

Agora a novidade: 10.000 MWe de energia nucleoelétrica (energia elétrica gerada por centrais nucleares) equivalem a economizar 11 reservatórios da Cantareira ou 6 Baias da Guanabara – é pouco? Portanto meu caro, os ambientalistas responsáveis como nós devemos tomar uma posição clara, deixando de lado os tabus a nós impostos por organizações internacionais, que agora não tem solução para o Grande Êxodo e suas consequências, principalmente sobre os mais desfavorecidos, que acabam sempre “pagando o pato”.

Será que estas organizações agora irão defender mais térmicas queimando mais combustíveis fósseis? As energias renováveis são muito bem vindas, porém elas ainda não se consolidaram a ponto de dar as respostas requeridas neste momento de grave crise – elas são intermitentes e não foram concebidas para ser energia de base. O país precisa de uma profunda reforma no seu sistema regulatório e no sistema integrado de operação para favorecer o crescimento da participação destas alternativas na nossa matriz elétrica, porém confesso que sou pessimista em relação a estas melhorias, pois os nossos agentes governamentais estão cada vez menos comprometidos com a busca de soluções e mais comprometidos com a marquetagem – triste quadro!

“E agora José”? A festa acabou, e se quisermos sobreviver como uma sociedade moderna, as decisões sábias e desprovidas de improvisos, tabus e marquetagens nefastas devem prevalecer.

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