“Relação com a China é cada vez mais importante para o Brasil”

“Relação com a China é cada vez mais importante para o Brasil”

Em entrevista ao programa Bom Dia Ministro da última sexta-feira (18), o ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, destaca, entre outros assuntos, a relação do Brasil com a China e a visita do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em março. Leia abaixo trechos da entrevista, editada pelo Em Questão.
Brasil e China
A relação com a China é cada vez mais importante para o Brasil. O país se tornou nosso primeiro parceiro comercial em 2009 e continuou nessa posição em 2010. É verdade que existem aspectos deste relacionamento que precisam ser examinados, porque nossa pauta exportadora é, sobretudo, composta por produtos de base, enquanto importamos principalmente manufaturados e bens de capital. Temos um superávit robusto com a China. No ano passado, esse superávit foi de US$ 5,2 bilhões. Além do mais, a China foi o principal investidor no Brasil em 2010 e continua interessada em investir, não só para que aumentemos a produção de minério de ferro, aço e de outros produtos, mas também está interessada nos projeto de infraestrutura relacionados à Copa do Mundo e aos Jogos Olímpicos.
Entrada de produtos mais baratos no Brasil
Não é só por meio da proteção que conseguiremos superar a concorrência internacional. Na verdade, a proteção geralmente desencadeia proteção do outro lado também, e então ficamos em uma situação que é negativa para todo mundo. O que precisamos fazer é nos aparelharmos. Estar preparados para competir no mercado que é, sem dúvida, mais difícil e competitivo. Acredito que o Brasil tem condições de se afirmar em inúmeros setores. Fechar fronteira nunca é solução. No entanto, situações específicas precisam ser examinadas. O Brasil também emerge em setores específicos e desloca outros produtores. É um jogo para o qual devemos estar preparados. Às vezes, o problema é sazonal: durante certo período, quem está em dificuldade são os nossos produtores; dali a pouco, será o produtor do país vizinho.
Mercosul
Vinte e seis de março é a data dos 20 anos do Mercosul. Como um todo, tem sido extremamente benéfico ao Brasil. Com a Argentina temos, hoje, um superávit de mais de US$ 4 bilhões. Com o Uruguai, estamos em um comércio um pouco mais equilibrado. É um mercado menor, mas acredito que, por meio da coordenação, da negociação, do diálogo, possamos encontrar um caminho mutuamente benéfico.
Trabalhamos também para a integração no âmbito sul-americano como um todo, e a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) é o mecanismo criado para esse objetivo. Há poucos dias o Uruguai depositou o instrumento de ratificação do tratado da Unasul e, com isso, o tratado entrará em vigor em 11 de março. É uma notícia muito boa para todos que estão comprometidos com o projeto da integração sul-americana.
Brasileiros no exterior
O Itamaraty tem se reestruturado para lidar com o número crescente de brasileiros no exterior. Esse número aumentou, sobretudo, durante os anos de maior dificuldade econômica interna no Brasil, que foram nas décadas de 80 e 90. Hoje, com o crescimento econômico mais acelerado, há muitos brasileiros voltando. De qualquer maneira, existe uma subsecretaria específica no Itamaraty que cuida dos brasileiros no exterior. Foi criado um conselho de representantes, ano passado, que se reúne anualmente com representantes das comunidades em diferentes países. Com a Espanha, temos desenvolvido um diálogo importante, em função de dificuldades que brasileiros encontraram na chegada em Madri e em outros aeroportos espanhóis. Felizmente essas dificuldades têm diminuído muito em função desses mecanismos que estabelecemos. Existem ainda outros canais, os consulados brasileiros fazem igualmente esse papel, para que abordemos com as autoridades dos países onde ocorrem abusos, irregularidades, etc. Na página do Itamaraty na internet há cartilhas e documentos com números que podem ser acionados e endereços eletrônicos. Recomendamos que em casos de irregularidades no exterior, o brasileiro procure o agente consular mais próximo.
Visita de Barack Obama
Estarão em pauta não apenas assuntos de ordem econômica e comercial, mas também queremos estreitar o diálogo político. Os Estados Unidos continuam sendo a principal potência mundial, no campo econômico e militar. É o segundo parceiro individual do Brasil, em matéria comercial; e um país com o qual temos uma tradição de bom relacionamento e uma pauta muito ampla de assuntos. No momento em que o Brasil procura desenvolver a produtividade industrial e a competitividade, será fundamental estabelecer parcerias com países mais desenvolvidos, em que possamos nos beneficiar de uma transferência de tecnologia em áreas de ponta. Pode ser, por exemplo, área espacial, a área da biotecnologia. E também sobre biocombustíveis – tema importante para Brasil e Estados Unidos. Será uma visita importante sob diversos aspectos e estamos trabalhando para que seja, também, uma visita da reafirmação da amizade entre os povos norte-americano e brasileiro.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Copy Protected by Chetans WP-Copyprotect.